Prof.
Carlos Alberto dos Santos Dutra
Quando
aquele comandante britânico vestiu a farda militar interpretada pelo ator Alec
Guinness e decidiu liderar um grupo de prisioneiros que se mantinha refém dos japoneses
na Birmânia, durante a IIª Guerra Mundial, ele não sabia que entraria para
história. Esse argumento, que foi adaptado do romance The bridge on the
river Kwai, e ganhou as telas do mundo inteiro em 1957, viria a ser
vencedor de sete Oscar: filme, direção, ator, roteiro, montagem, fotografia e
trilha sonora.
Embalado
pela música-tema desse grande épico inesquecível do cinema, a contagiante
marcha Colonel Bogey assobiada por esses prisioneiros que foram
induzidos e encorajados a construir a célebre ponte do rio Kwai (se pronuncia
cuêi), até hoje ela é conhecida e assobiada no mundo inteiro. O ritmo melódico
da marcha imprime volume e consistência fazendo brotar em nós uma força que vem
de dentro e nos projeta para frente. O rigor com que é executada transmite
timbre de euforia e ânimo, ao mesmo tempo em que nos convida à ordem e à
disciplina.
É essa
sensação que os brasilandenses têm vivido e sentido todas as terças e quartas
feiras, aqui em nossas ruas. É como uma onda sonora que nos envolve e embala
nos forçando a sair de nossos egoísmos. É como um convite para nos mexer, para
vencer nossos desafios maiores.
O exemplo
do militar inglês foi este: mesmo sabendo que a ponte uma vez construída iria
servir tão-somente ao inimigo, ainda assim, ele continuou sua empreitada para
provar a superioridade de seus homens em relação aos do inimigo. Fazendo um
rápido paralelo entre a construção dessa Ponte e a ASSOBRAA, é o mesmo que
podemos dizer. Mesmo sabendo que a tarefa da coleta seletiva do lixo pudesse ser
(ou até devesse ser) realizada pela Administração Pública, eles, os cidadãos,
os sócios, transformados em atores reais, Agentes Ambientais, assumiram para si
a tarefa de fazê-la e fazê-la brilhantemente.
Já não
importa mais saber de quem seja a obrigação. Essa coleta seletiva do lixo,
cidadãos de nossa cidade, mostraram que ela era possível de ser realizada. E lá
estão os Agentes Ambientais heroicamente animados pelo senhor Deolir Felipe
Schio, o popular Caco, a mostrar que é possível conclamar a comunidade para a
tarefa pedagógica de transformar comportamentos, a tarefa de superar nossos
limites.
Assim como
o filme do diretor David Lean foi premiado, auferimos aqui à ASSOBRAA nota DEZ
pela sua iniciativa e coragem de fazer acontecer aquilo que Jean Cocteau,
escritor francês eternizou: "ele não sabia que era impossível, foi lá e
realizou". E lá vem o assobio daquela musiquinha, uma composição de
Malcoln Arnold eternizada pela KMC Orchestra e que é apresentada na gravação
utilizada pelo caminhão da coleta tendo o senhor Marcos Brasil que empresta a
voz para esse gesto grandioso, convidando a todos a se engajar nesse mutirão.
Sim,
sentimos sim, uma pontinha de orgulho, todos nós brasilandenses. Isso porque
quem faz isso é um dos nossos, alguns dos nossos. E de certa forma, esses
representam todos nós, a totalidade da nossa Brasilândia onde faz parte aqueles
que querem só o melhor para ela. Sentimo-nos orgulhosos porque alguém ousou
desafiar e superar obstáculos. Parabéns militantes da ASSOBRAA, parabéns Brasilândia.
Para
aqueles que dizem que Brasilândia não tem jeito, assobia aquela musiquinha pra
ele!
Publicado no jornal Diário MS, Dourados,
09.Fev.2004; A Tribuna, Campo Grande, 8-14.Fev.2004.