LEMBRAMOS
Morre Tomé de Souza, índio Ofaié
Tomé de Souza, de 57 anos faleceu no dia 31 de maio de 2000, em Brasilândia – MS. Tomé conhecia como ninguém a terra onde nasceu, foi um pioneiro, mesmo antes da chegada dos primeiros colonizadores à Brasilândia.
Era casado com Dirce (já falecida), e pai de Maria de Lourdes (já falecida), Severino e Arlindo. Líder de seu povo tinha temperamento tímido e estava sempre alegre, sendo querido por todos.
Ajudou a abrir e formar muitas fazendas na região. Artesão de primeira, trançava o bacuri como ninguém, além de fazer flechas e arcos de beleza ímpar em Mato Grosso do Sul.
Expulso de suas terras em 1978, acompanhou seu povo na distante Bodoquena, permanecendo lá 8 anos. De volta à Brasilândia, em 1986, continuou sua luta, passando a liderança do povo Ofaié ao sobrinho Ataíde Xehitã-ha.
Vítima de constantes agressões, em 1995 foi agredido com facadas no tórax e pescoço dentro de sua residência no interior da aldeia. Por haver empurrado o agressor, na ânsia de defender-se, foi acusado e condenado injustamente sem qualquer defesa da Funai, cumprindo com humilhação a pena.
Há cinco anos sofreu um grave derrame cerebral e desde então vivia numa cadeira de rodas, sendo levado de hospital em hospital em busca de tratamento e fisioterapia, nem sempre garantida pela Funai aos índios.
O corpo de Tomé foi velado na própria aldeia ali sendo enterrado contando apenas com a companhia dos patrícios Ofaié e uns poucos amigos não-índios.
Com a morte de Tomé parte da cultura Ofaié irremediavelmente se perde.
Vá com Deus amigo Tomé. Arikã!
(Texto de autoria de Carlos Alberto dos Santos Dutra, publicado em O Mensageiro, Belém-PA, Jul-Ago.2000, p. 27)
Fotos de Tomé de Souza, Xião







"Tomé Arikã ou Tomé de Souza. Líder Ofaié, da região de Brasilândia (MS), próxima ao Rio Paraná. Em 1978, ele e seu povo foram transferidos pela Funai para a reserva Kadiwéu, a fim de que suas terras fossem liberadas para a instalação de fazendas. Já doente, em 1986, transmitiu a liderança para o sobrinho Ataíde Rodrigues Xehitâ-ha. Submetido a constantes agressões, em 1995, foi vítima de um atentado a facadas. Foi preso e humilhado e, logo depois, sofreu um derrame, que o deixou paralítico. Morreu em 31 de maio de 2000, levando consigo a memória das muitas tradições de seu povo e uma longa história de sofrimento". (Fonte: Outros 500 anos: construindo uma nova história / Conselho Indigenista Missionário - Cimi. São Paulo: Editora Salesiana, 2001, p. 219).