BBB: VOTE NO BOBÃO OU NA BOBONA

 

 

Foram 29 milhões de ligações  do povo brasileiro votando em algum candidato para ser eliminado do Big Brother. O apresentador da Rádio Jovem Pan, José Neumani Pinto, autor deste texto tem razão.

 

E ele faz as contas. Ao preço da ligação a R$ 0,30 teremos R$ 8.700.000,00. Isso mesmo! Oito milhões e setecentos mil reais, que o povo brasileiro gastou (e gasta), em cada paredão!

 

Suponhamos que a Rede Globo tenha feito um contrato "fifty to fifty" com a operadora de telefonia do 0300, ou seja, ela embolsou nada menos que  R$ 4.350.000,00 e isso somente em um único paredão!


Alguém poderia ficar indignado com a Rede Globo e a operadora de telefonia ao saber que as classes menos letradas e abastadas da sociedade, que ganham mal e trabalham o ano inteiro, ajudam a pagar o prêmio do vencedor e, claro, as contas dessas empresas.

 

Mas o "x" da questão, explica o articulista, é saber que paga-se para obter um entretenimento vazio, que em nada colabora para a formação e o conhecimento de quem dela desfruta; mostra só a ignorância da população, além da falta de cultura e até vocabulário básico dos participantes e, conseqüentemente, daqueles que só bebem nessa fonte.


O programa BBB dura cerca de três meses. Ou seja, o sábio público tem ainda várias chances de gastar quanto dinheiro quiser com as votações. Aliás, algo muito natural, para quem gasta mais de oito milhões numa só noite! Coisa só vista em um país “rico” como o nosso, claro!

 

Em outras palavras, nem a Unicef, quando faz o programa Criança Esperança, com um forte cunho social, arrecada tanto dinheiro. Vai ver, deveriam bolar um "BBB Unicef". Mas, não tenham dúvida: não teria audiência. Na Inglaterra, pensou-se em fazer um Big Brother só com gente inteligente. O projeto morreu na fase inicial já nos testes de audiência.


E sabe qual a razão? O nível das conversas diárias foi considerado muito alto, ou seja,  o público não se interessaria.

 

Olha, os  programas como BBB existem no mundo inteiro, mas explodiram em terras tupiniquins. Um país onde o cidadão vota para eliminar um bobão (ou uma bobona) qualquer, mas não lembra em quem votou na última eleição.


Quem não conhece alguém que vota numa legenda política sem jamais ter lido o programa do partido? Quem não conhece alguém que gasta seu escasso salário num programa que acredita de extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal e, que não perde um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de PAGAR pelo seu voto?

 

Que eleitor é esse? Depois, não adianta dizer que político é ladrão, corrupto ou safado, etc. Quem os colocou lá? Claro, é o mesmo eleitor do BBB!

 

E aí, agüente a vitória do deputado cara de pau que coloca em votação o aumento do próprio salário que vai ser pago pelo contribuinte.

 

Mas, o contribuinte nem liga. Ele tem condições financeiras de juntar R$ 8 milhões em uma única noite para se divertir (?!?!), ao invés de comprar um livro de literatura, filosofia ou de qualquer assunto relevante para melhorar a articulação e a autocrítica.

 

(Adaptado por Carlos Alberto dos Santos Dutra, Brasilândia-MS, 16.Dez.2008)